Obesidade e bullying

Obesidade e bullying na adolescência exigem atenção de pais, responsáveis e educadores

O bullying é um comportamento abusivo e agressivo, que é intencional e repetitivo. Ele pode acontecer por meio de gestos, palavras, atitudes e comportamentos, ferindo tanto fisicamente quanto psicologicamente, causando medo, insegurança, angústia, sofrimento e até provocar o desenvolvimento de doenças psíquicas e físicas. No Brasil, aproximadamente um em cada dez estudantes sofre bullying com frequência nas escolas, e os mais atingidos são as crianças e os adolescentes com obesidade.1

Quais as consequências da obesidade e bullying para o adolescente?

A obesidade pode ter várias consequências psicológicas e sociais e comprometer a saúde mental e social dos adolescentes. A autoestima, por exemplo, pode ser afetada pelo estigma da obesidade, pela dificuldade de aceitar a própria aparência e pelo sentimento de impotência e de inferioridade.2 Veja os problemas que o bullying sofrido pela obesidade pode provocar:3
 

Aspectos emocionais e psicológicos Relacionamentos e escola
  • Depressão;
  • Isolamento social;
  • Ansiedade;
  • Baixo rendimento escolar;
  • Baixa autoestima;
  • Maior número de faltas.
  • Imagem corporal deficiente;
  •  
  • Automutilação;
  •  
  • Suicídio.
  •  
    Comportamento alimentar Exercícios e atividades físicas
  • Hábitos pouco saudáveis;
  • Diminuição das atividades físicas;
  • Compulsão alimentar.
  • Autoconfiança menor para se exercitar;
  •  
  • Menor disposição para exercitar-se.
  • Como lidar com o bullying na adolescência?

    Quando nenhuma providência é tomada para acabar com o bullying na adolescência, é possível que o jovem entenda que não há como mudar essa situação e, então, ele pode parar de tentar. É possível que isso aumente as chances de ter depressão e até de sentir-se culpado pelas agressões que sofreu. E o pior é que os problemas não acabam na adolescência! Os efeitos do bullying podem durvar até a fase adulta e prejudicar a saúde mental de quem foi vítima dele.4 Para enfrentá-los, o apoio de pais ou responsáveis é fundamental:5
     

    Autoestima Assertividade Apoio da escola
    É importante aumentar a confiança e ressaltar os pontos fortes do adolescente. Ele precisa ser lembrado que não tem culpa e ser estimulado a falar sobre como está se sentindo. É preciso estimular o adolescente a ser firme e defender-se verbalmente, não com violência. Os professores e a direção da instituição precisam ser comunicados e cobrados para impedir o bullying.

    A pessoa que sofre bullying na adolescência precisa de suporte e incentivo para vencer essa situação. É importante reconhecer o que está acontecendo, pensar a respeito, buscar alternativas para sair desse contexto e traçar um futuro diferente.4

    O que pode causar sobrepeso e obesidade na adolescência?

    Existem vários fatores que podem levar ao sobrepeso e à obesidade na adolescência, como genética, alimentação, sedentarismo, determinados medicamentos, problemas hormonais, problemas neurológicos e questões psicológicas.6, 7, 8 Mas, segundo a Organização Mundial da Saúde, a causa fundamental do sobrepeso e da obesidade é o desequilíbrio entre as calorias que consumimos e a energia que o nosso corpo gasta. Ou seja, ingerir mais calorias do que usamos no dia a dia.9

    Alimentação e obesidade - nas últimas décadas, houve uma mudança nos hábitos alimentares, com um aumento muito rápido no consumo de alimentos ultraprocessados, que são ricos em calorias, gorduras e açúcares9 e têm uma forte ligação com a obesidade.10, 11 Tanto que, na América Latina, cresceu mais de 13,5% a quantidade de adolescentes com excesso de peso entre 1990 e 2016.9

    Sedentarismo e obesidade - ao mesmo tempo, a falta de atividade física também aumentou. Hoje em dia, cerca de 81% dos adolescentes não fazem atividade física suficiente. O que inclui qualquer tipo de movimento, desde uma simples caminhada até, por exemplo, andar de bicicleta ou praticar esportes. E isso acontece no mundo todo.12

    % de adolescentes com obesidade no Brasil

    Ter obesidade na adolescência pode causar problemas no futuro?

    Ser uma criança ou um adolescente com sobrepeso ou obesidade aumenta as chances de se tornar um adulto com excesso de peso.2

    obesidade em crianças e adolescentes

    A obesidade aumenta o risco das crianças e dos adolescentes desenvolverem vários problemas de saúde, tais como: pressão alta, aumento de colesterol, diabetes tipo 2, problemas respiratórios como asma e apneia do sono, e também problemas nas articulações. Já na idade adulta, ela aumenta as chances de desenvolver doenças mais graves, principalmente cardiovasculares.13

    Como tratar a obesidade na adolescência?

    Atingir um peso saudável e mantê-lo melhora a saúde geral e diminui as chances de complicações relacionadas à obesidade. Mas, para conseguir isso, pode ser necessário que o tratamento para a obesidade na adolescência envolva diferentes profissionais de saúde, como um médico especialista, um nutricionista, um educador físico e um terapeuta comportamental, assim como acontece em outras fases da vida.13

    Esses profissionais podem orientar e ajudar o adolescente a fazer as mudanças necessárias no comportamento, na alimentação, estimular a prática de exercícios e atividades físicas. Dependendo das características de cada caso, o médico também pode prescrever medicamentos ou outras terapias.14

    • DURAÇÃO
    Não há uma solução rápida, pois é necessário adquirir novos hábitos para perder peso e mantê-lo.14

    • DIETAS RADICAIS
    Até é possível perder peso, porém, o mais provável é recuperá-lo após a dieta ser interrompida.14

    Quando a família se envolve, o tratamento da obesidade no adolescente é mais eficaz, porque os pais ou responsáveis podem se tornar modelos de comportamento e administrar a alimentação em casa de forma saudável.15

    Como prevenir o sobrepeso e a obesidade em adolescentes?

    Para evitar o sobrepeso ou a obesidade em adolescentes, é preciso mudar os hábitos de alimentação e a quantidade de atividade física idealmente de toda a família. Os pais ou responsáveis devem procurar ser um modelo para incentivar os adolescentes a comerem de forma saudável e a se exercitarem.16

    Atividade física - as crianças e os adolescentes devem fazer, pelo menos, 60 minutos de atividade física moderada diariamente. Acima disso, pode acontecer a perda de peso.16

    Tempo de tela - o adolescente deve ficar na frente da TV, do computador ou do celular menos que duas horas diárias.16

    Refeições - comer devagar e mastigar várias vezes são dicas importantes, assim como ingerir ao menos cinco porções de frutas e vegetais por dia.16

    Alimentos - a comida não deve ser usada como recompensa ou punição e é preciso ter uma alimentação saudável, evitando alimentos ricos em açúcar e gorduras.16

    Líquidos - é preciso incentivar a troca das bebidas com açúcar, como refrigerantes e isotônicos, por água.16

    Referências: 1. Berlese DB, Renner JS, Sanfelice GR et al. Ocorrência de bullying em adolescentes obesos em tratamento hospitalar. http://www.uricer.edu.br/site/pdfs/. Acesso em: 07/01/2021. 2. Rocha M, Hedyanne P, Maia R et al. Aspectos psicossociais da obesidade na infância e adolescência. Psic., Saúde & Doenças, vol. 18, no. 3, Lisboa, dez. 2017. http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-00862017000300007. Acesso em: 07/01/2021. 3. Pont SJ, Puhl R, Cook SR, Slusser W. Stigma experienced by children and adolescents with obesity. Pediatrics, December 2017. https://pediatrics.aappublications.org/content/140/6/e20173034#sec-6. Acesso em 07/01/2021. 4. Gordon S. The long-lasting effects of bullying. Verywell Family. https://www.verywellfamily.com/bullying-impact-4157338. Acesso em: 07/01/2021. 5. Gordon S. How obesity and bullying are connected. Verywell Family. https://www.verywellfamily.com/obesity-and-bullying-what-is-the-connection-460623. Acesso em: 07/01/2021. 6. Stunkard AJ, Harris JR, Pedersen NL, McClearn GE. The body-mass index of twins who have been reared apart. N Eng J Med 1990; 322:1483-7. 7. Herrera B, Keildson S, Lindgren C. Genetics and epigenetics of obesity. Maturitas 2011; 69:41-49. 8. ABESO. Diretrizes brasileiras de obesidade 2016. https://abeso.org.br/wp-content/uploads/2019/12/Diretrizes-Download-Diretrizes-Brasileiras-de-Obesidade-2016.pdf. Acesso em: 07/01/2021. 9. Organización de las Naciones Unidas para la Alimentación y la Agricultura - FAO. Panorama de la seguridad alimentaria y nutricional en América Latina y el Caribe. http://www.fao.org/americas/publicaciones-audio-video/panorama/2019/es/. Acesso em: 07/01/2021. 10. Askari, M., Heshmati, J., Shahinfar, H., Tripathi, N., & Daneshzad, E. (2020). Ultra-processed food and the risk of overweight and obesity: a systematic review and meta-analysis of observational studies. International Journal of Obesity, 1-12. 11. Pagliai, G., Dinu, M., Madarena, M. P., Bonaccio, M., Iacoviello, L., & Sofi, F. Consumption of ultra-processed foods and health status: a systematic review and meta-analysis. The British Journal of Nutrition, 1-11. 12. World Health Organization - WHO. Physical activity. https://www.who.int/health-topics/physical-activity#tab=tab_1. Acesso em: 07/01/2021. 13. Centers for Disease Control and Prevention - CDC. Overweight & Obesity - Childhood Obesity Causes & Consequences. https://www.cdc.gov/obesity/childhood/causes.html. Acesso em: 07/01/2021. 14. Mayo Clinic. Obesity. https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/obesity/symptoms-causes/syc-20375742. Acesso em: 07/01/2021. 15. Golden NH, Schneider M, Wood C. Preventing obesity and eating disorders in adolescents. Pediatrics, September 2016. https://pediatrics.aappublications.org/content/138/3/e20161649#sec-10. Acesso em: 07/01/2021. 16. Johns Hpkins Medicine. Preventing obesity in children, teens and adults. https://www.hopkinsmedicine.org/health/conditions-and-diseases/obesity/preventing-obesity. Acesso em: 07/01/2021. 17. Secretaria do Estado de Saúde de Goiás. Obesidade infantil desafia pais e gestores. https://www.saude.go.gov.br/noticias/81-obesidade-infantil-desafia-pais-e-gestores. Acesso em 11/05/2021.

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