Obesidade e dificuldade para engravidar

Obesidade e dificuldade para engravidar: Entenda o papel do excesso de peso na fertilidade

O excesso de peso é um dos fatores que podem reduzir a fertilidade, além de aumentar o risco de complicações na gestação. Por outro lado, perder peso de maneira saudável, com a ajuda do seu médico, pode reverter esse quadro.1 Entenda o que está por trás da associação entre obesidade e dificuldade para engravidar.

Qual é a relação entre obesidade e dificuldade para engravidar?

Antes de mais nada, é importante saber que a obesidade é determinada pelo Índice de Massa Corporal, ou IMC, que é calculado dividindo o peso pelo quadrado da altura. O resultado revela se o peso está dentro da faixa ideal, de acordo com a seguinte classificação: 1

 


IMC abaixo de 18,5:
abaixo do peso.

IMC 18,5 a 24,9:
peso normal.

IMC 25 a 29,9:
sobrepeso.

IMC 30 e superior:
obesidade.

 

Partindo daí, veja o que os especialistas sabem a respeito de IMC e fertilidade: 2

    🗸 A faixa normal (IMC entre 18,5 e 24,9) é a ideal para engravidar, no que diz respeito ao peso corporal;

    🗸 Em mulheres classificadas com obesidade, o risco de infertilidade é três vezes maior;

    🗸 Quanto mais quilos extras, maior a dificuldade de conceber. Foi demonstrado que cada unidade de IMC acima de 29 reduz a chance de engravidar em 5%;

    🗸 O excesso de peso também diminui a probabilidade de engravidar com certos tratamentos de fertilidade, como a fertilização in vitro.

O acúmulo de gordura na região abdominal é o de maior risco para aumento da infertilidade e de doenças cardiovasculares.3

O que explica a relação entre obesidade e dificuldade para engravidar?

Embora a associação entre obesidade e dificuldade para engravidar tenha sido demonstrada em vários estudos, os mecanismos por trás dessa relação são múltiplos e complexos, e ainda precisam ser melhor compreendidos. Sabe-se que tem a ver, principalmente, com desequilíbrios hormonais.2 Conheça alguns fatores que podem interferir na função reprodutiva da mulher com IMC elevado:

Excesso de estrogênio - muita gente sabe que o ovário produz o estrogênio, hormônio feminino que controla a ovulação. O que nem todos sabem é que o tecido adiposo (células de gordura) também produz a substância. Assim, em mulheres com excesso de gordura corporal, o organismo produz mais estrogênio do que o necessário. Como consequência, elas podem deixar de menstruar ou ovular de maneira deficiente, o que diminui as chances de sucesso de uma gravidez.4

Outras alterações - além do aumento de estrogênio, a obesidade está associada a outras alterações do metabolismo e dos sistemas endócrino e reprodutor que prejudicam a ovulação, como aumento dos níveis de leptina, aumento na produção de andrógenos (hormônios masculinos) e resistência à insulina, quando o corpo precisa produzir mais desse hormônio para manter os níveis de açúcar no sangue normais.2

Síndrome do ovário policístico (SOP) - a obesidade é uma doença comum em mulheres com SOP. Esse distúrbio hormonal, que pode levar à formação de cistos nos ovários, é uma das causas mais frequentes de infertilidade no sexo feminino.4

Carências nutricionais - muitas mulheres com obesidade apresentam deficiência em vitaminas e nutrientes que são importantes antes e durante a gestação, como ferro, ácido fólico e vitamina B12. Tais deficiências têm a ver com a qualidade da alimentação, não com a quantidade.5

Obesidade também afeta fertilidade masculina

O peso do homem também impacta nas chances de um casal gerar um bebê. Nele, a obesidade pode diminuir a quantidade e a qualidade dos espermatozoides. Isso se deve a uma combinação de fatores, incluindo:6

 

Problemas hormonais e Elevação da temperatura corporal

A probabilidade de a mulher engravidar é maior três meses depois de o parceiro atingir um peso saudável. Pois esse é o tempo, aproximadamente, que os espermatozoides levam para se desenvolver.7

Quais são os riscos da obesidade na gravidez?

Quando a mulher com sobrepeso ou obesidade engravida, é importante ter um acompanhamento médico constante, pois há um risco aumentando de complicações para a mãe e para o bebê, tais como:7

Hipertensão gestacional - a pressão alta durante a gravidez, se não controlada, pode levar a uma condição mais perigosa chamada pré-eclâmpsia.4

Diabetes gestacional - a diabetes que começa na gravidez pode ter como consequência bebês com baixos níveis de açúcar no sangue e tamanho corporal maior, o que pode levar a um parto mais difícil e a uma chance maior de uma cesariana. Além disso, mulheres que tiveram diabetes gestacional têm maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro.4, 8

Apneia obstrutiva do sono - é uma condição na qual uma pessoa para de respirar por curtos períodos durante o sono. Mais comum em pessoas com obesidade, o distúrbio pode ser agravado durante a gravidez, podendo retardar o crescimento do feto e causar outros problemas.3

Outras complicações - a obesidade na gravidez também aumenta o risco de aborto espontâneo, morte fetal e bebê com defeitos congênitos. Bebês nascidos de mães com muito peso têm um risco maior de obesidade na infância e na idade adulta e outros problemas de saúde de longo prazo.7, 8

Como pessoas com obesidade podem aumentar as chances de engravidar?

Diante deste cenário, é recomendado que mulheres com sobrepeso e obesidade percam peso antes de dar início às tentativas para gerar um bebê. Na maioria dos casos, o emagrecimento é capaz de restaurar a fertilidade e melhorar a saúde da gravidez.7

Praticar exercícios físicos e ter uma alimentação balanceada podem ser as primeiras medidas para começar a perder peso. É importante manter esses hábitos durante a gravidez e depois dela. Em todos os casos, lembre-se que, para perder peso com segurança, você deve consultar seu médico antes de começar a fazer qualquer mudança no estilo de vida.7

Por último, homens e mulheres têm maior probabilidade de fazer mudanças positivas no comportamento de saúde se seus parceiros também o fizerem. Portanto, seria ideal se o esforço para manter bons hábitos alimentares e um plano de exercícios fosse compartilhado por seu parceiro, especialmente se o IMC dele também estiver na categoria de sobrepeso ou obesidade.1

Referências:  1.University of Iowa Hospitals & Clinics. Obesity and infertility. https://uihc.org/health-topics/obesity-and-infertility. Acesso em: 17/08/2021. 2.Dağ ZÖ, Dilbaz B. Impact of obesity on infertility in women. Journal Of The Turkish-German Gynecological Association. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4456969/. Acesso em: 17/08/2021. 3.Cleveland Clinic. Does Being Overweight Affect Your Chances of Getting Pregnant? https://health.clevelandclinic.org/does-being-overweight-affect-your-changes-of-getting-pregnant/. Acesso em: 17/08/2021. 4.U.S. Department of Health and Human Services. Weight, fertility, and pregnancy. https://www.womenshealth.gov/healthy-weight/weight-fertility-and-pregnancy. Acesso em: 17/08/2021. 5.Boynton E. Myths and Truths of Obesity and Pregnancy. University of Rochester Medical Center. https://www.urmc.rochester.edu/news/story/myths-and-truths-of-obesity-and-pregnancy. Acesso em: 17/08/2021. 6.University of Pennsylvania. What's the Link Between Obesity and Infertility? https://www.pennmedicine.org/updates/blogs/fertility-blog/2014/may/whats-the-link-between-obesity-and-infertility. Acesso em: 17/08/2021. 7.Victoria State Government. Weight, fertility and pregnancy health. https://www.betterhealth.vic.gov.au/health/ConditionsAndTreatments/weight-fertility-and-pregnancy-health. Acesso em: 17/08/2021. 8.American College of Obstetricians and Gynecologists. Obesity and Pregnancy. https://www.acog.org/womens-health/faqs/obesity-and-pregnancy. Acesso em: 17/08/2021.

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